O que a Pandemia me Ensinou sobre Igrejas Pequenas e Tradicionais.

Por Pedro Dulci

Apesar de não ser uma regra, tenho visto muitas igrejas que apostaram em construir uma comunidade extremamente leve em termos organizacionais, terem dificuldades de se manterem sustentáveis durante a pandemia. O que foi chamado de religiosidade e engessamento tradicionalista por muito tempo, é justamente o que está dando suporte a diversas igrejas históricas e tradicionais.
Com isso, não estou me referindo à grandes estruturas de mega igrejas dificílimas de colocar em movimento. Acredito que as mega church estão também com dificuldade de fazer coisas simples. Como fazer um culto com 30% de uma igreja que tem 800 lugares e mais de 1500 membros? É virtualmente impossível obedecer às regras de vigilância sanitária quando você é imenso. 

O que me refiro por estruturas organizacionais de uma igreja é, por exemplo, pastores e presbíteros que sempre tiveram o costume de visitar e ligar para suas ovelhas. Ou seja, o contato entre pastores e rebanho não se dava somente no púlpito, mas no dia a dia. Hoje, sem a possibilidade do púlpito, temos ainda muito lastro relacional por meio de contato pessoal. 

Outra estrutura mínima é o serviço diaconal constante. Ter o hábito de recolher doações, arrecadar fundos específicos e conhecer as dificuldades particulares dos membros ou beneficiários da igreja é um serviço muito básico, mas que agora assumiu primeira importância. Ter uma junta diaconal treinada para isso é mais vital para a membresia da igreja do que simplesmente fazer doações para projetos sociais distantes do dia a dia da igreja — esses, infelizmente, são os primeiros a serem cortados quando o orçamento da igreja cai. 

Muitos outros itens podem ser colocados aqui. Prática regular de dízimo e ofertas, satisfação com o sermão de um pastor que não é uma grande figura famosa, articulação de ministérios internos de mulheres, jovens, homens, etc. Tudo isso foi visto com muita desconfiança por aqueles que queriam plantar igrejas no compasso da contemporaneidade (querendo igrejas que mais se pareciam com start-ups), mas que são estruturas muito úteis e difíceis de seres substituída. 

Não estou glorificando igrejas pequenas e históricas só porque sou pastor de uma dessas. Realmente, na Bereia temos vivido um tempo de profundo aprendizado e beleza nessas iniciativas dos irmãos. O que quero é levar a uma pequena reflexão que o reverendo Sandro Baggio me ajudou a pensar: quem insistiu em desconstruir a igreja durante anos, produzindo um organismo sem estrutura, está sofrendo por falta de suportes firmes o suficiente para alicerçar novas práticas eclesiásticas.

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